|
SOBRE PAPUS (1865-1916)
VOLUME VI
ÍNDICE
4VOLUME I
4VOLUME II
4VOLUME III
4VOLUME IV
4VOLUME V
4VOLUME VII
Capítulo X - Instrumentos do Mago
Baqueta Mágica
Espada Mágica
Talismãs
Lâmpada Mágica
Roupas do Mágico
Livro do Mágico
Laboratório Mágico
Círculo Mágico
Elementais
Salomão: Mundo Invisível
Cap. XI - Medicina Hermética
Larvas Astrais e Obsessões
CAPÍTULO X
Instrumentos do Mago

introdução
Toda intenção que não se manifesta por atos é uma intenção vã e a palavra que a exprime é uma palavra ociosa. Os atos revelam a vida e demonstram o poder da vontade. Tal é a origem teórica de todos os instrumentos acessórios empregados em Magia. O estudioso, deve, tanto quanto possível, dispor de um espaço próprio onde tenha privacidade para desenvolver estudos e práticas: é o Laboratório Mágico. No Laboratório, o Mago vai confeccionar ou, ao menos, consagrar todos os seus instrumentos além de ali os guardar juntamente com seus livros, vestes especiais e apontamentos. Todos os móveis e demais objetos devem ser novos e consagrados separadamente segundo o seguintes ritos:
1. Compra e preparação em correspondência planetária.
2. Aspersão com "Água Mágica" (perfumada e consagrada).
3. Fumigação: queima de incensos com perfumes adequados.
4. Consagração pelo gesto nos quatro cantos do cômodo (Sinal da Cruz, por exemplo).
5. Evocação de nomes sagrados.
6. Pronunciar orações.
7. Enceramento da sessão guardando os objetos.
BAQUETA
A baqueta mágica é um objeto que serve para indicar e dirigir a vontade do magista. Isso é possível porque a baqueta tem a propriedade de condensar uma grande quantidade de fluido emanado do operador. Deve ser feita com madeira de sabugueiro de comprimento não superior a 50 cm. Será raspado e polido. Em intervalos regulares, se for o caso, coincidindo com os nós do ramo escolhido, farás pequenos orifícios onde passarás pedacinhos de metal relacionado com o planeta de sua preferência ou então usarás uma liga dos vários metais planetários. Protetores de latão ou mesmo de madeira devem fazer o acabamento das extremidades. Nestas "tampas", deve-se gravar caracteres mágicos dedicados ao Mestre escolhido ou algo genérico, como o pentagrama ou o Sêlo de Salomão (estrela de seis pontas). Depois de pronto o bastão deverá ser guardado em um estojo de tecido branco e será necessário incensá-lo. Enquanto queima o bastão, o magista deve dedicar-se à prece. Depois, guardará sua baqueta no armário do quarto mágico e manterá acesa alâmpada mágica no aposento, durante 40 dias.
ESPADA
A espada mágica é um instrumento de defesa do operador e a ponta metálica, na extremidade, é o que confere esta qualidade ao objeto. Um tridente, como usava Paracelso ou um prego velho engastado em um pedaço de madeira, podem, a rigor, servir tanto quanto a mais bela e preciosa das espadas mágicas. Os conglomerados fluídicos formados pela união de uma potência astral atuando como alma com os fluidos vitais do ambiente, têm uma analogia muito acentuada com os conglomerados elétricos. O astral só pode atuar sobre o físico por meio dos fluidos da vida física, ou seja, eletricidade vital. Assim, quando o operador presume que a potência astral que tem diante de si quer abusar de seu poder, não resta outro recurso senão apresentar a ponta de sua espada ao ser fluídico. A ponta metálica extrai instantaneamente os fluidos astro-elétricos que formavam o ser dotado de más intenções, o qual é imediatamente privado de todos os seus meios de ação sobre o plano físico. Projéteis de armas de fogo, como chumbo, balas, atuam da mesma forma, pois o impacto é incisivo e a substância de ataque é metálica.
TALISMÃS
Os talismãs são considerados representações exatas das formas criadoras do astral e por isso estabelecem um meio de comunicação entre o homem e tais formas. Fazer e usar um talismã é um modo de manifestar adesão ou simpatia aos significados que o talismã encerra. A confecção de cada talismã é uma verdadeira cerimônia mágica. Os materiais e caracteres são cuidadosamente escolhidos conforme o fim a que se destina o pentáculo. As correspondências planetárias são então observadas desde o artesanato do objeto até sua consagração, utilizando-se os metais, as assinaturas ou outros símbolos, os perfumes, as cores.
Consagrar o talismã significa magnetiza-lo, imanta-lo, dotar de uma energia especificamente voltada para certo propósito: proteção pessoal espiritual e física, sucesso nos empreendimentos, conservação da saúde etc.. é uma cerimônia que começa no momento em que se começa a "providenciar" o talismã, seja confeccionado pelo próprio magista, seja encomendado a um artesão. Se encomendado, o dia e a hora da encomenda já serão escolhidos conforme a afinidade planetária bem como o material e tudo o que vai ser gravado. Uma vez pronto o talismã, deve ser envolto em tecido de seda da cor adequada e guardado durante sete dias no meio de coisas pessoais do magista que escolherá uma noite ou um amanhecer para fazer a cerimônia de fumigação, ou seja, incensar o talismã e fazer as orações que completarão o processo de "imantação" ou magnetização.
LÂMPADA MÁGICA
A lâmpada mágica serve para iluminar o Laboratório Mágico. Sua luminosidade colorida e suave é ideal para criar uma atmosfera favorável à concentração. Esta lâmpada deve ser feita de modo a "sintetizar as influências planetárias" (PAPUS, p 310). É confeccionada com sete lâminas de vidro, cada uma da cor de um dos planetas (Mercúrio é uma placa multicolorida). As lâminas, compradas e consagradas separadamente, obedecendo à relação dos dias da semana com os astros, são encaixadas em uma base de madeira. A fonte de luz pode ser antiga, ou seja, velas, ou contemporânea, uma lâmpada elétrica. A lâmpada é usada em experiências de hipnose. Contemplar a lâmpada também ajuda no processo de meditação podendo produzir fenômenos de visão do astral.
Sobre estes instrumentos: baqueta, espada, pentáculos, espelho e lâmpada mágica, Papus fornece roteiros detalhados de confecção e consagração, orações tradicionais, rituais, gestos etc.. Para quem pretende seguir à risca tais procedimentos, o ideal é adquirir o livro e usá-lo, no caso, como um manual onde se pode tirar dúvidas a qualquer momento.
Além disso, todo magista deve possuir: uma bússola, canetas e lápis preto, lápis coloridos comuns ou de cera, papéis brancos para desenho, cadernos para anotações, velas coloridas, incensos.
VESTUÁRIO PARA OPERAR
O vestuário deve ser feito de linho branco, em forma de túnica, longa até os pés, sem aberturas além mangas e cabeça. As mangas estreitam-se nos punhos. Por baixo, o operador vestirá calças curtas e também brancas, do mesmo tecido. A mesma cor será a dos sapatos, que serão leves. O vestuário também deve ser incensado.
LIVRO DO MAGO
O Mago deverá providenciar um livro onde deverá escrever com capricho e ordem suas anotações: as preces, os nomes dos anjos, os desenhos de sêlos e caracteres, os relatos de experiências, trechos selecionados de leituras importantes. O livro deve ser fabricado ou adquirido em um dia dedicado a Mercúrio e será incensado e consagrado a Hermes (Mercúrio) antes de ser usado.
LABORATÓRIO MÁGICO
Nos dias atuais, a maior parte das pessoas, especialmente os mais jovens, não pode dispor de mais de um aposento em sua casa ou apartamento. Por vezes, sequer possui um quarto só para si. Supondo, entretanto, que venha a se possuir um quarto, este, que serve de dormitório, poderá ser adaptado para as operações mágicas. Se não possuir tal quarto, um armário deverá ser reservado para guardar, longe de olhos levianos, livros e objetos mágicos. A seguir, descreveremos, segundo Papus, os elementos que compõem um Laboratório-quarto Mágico:
— Cor da Paredes: branca.
— Os quatro pontos cardeais assinalados com auxílio da bússola.
— Oeste: localização da mesa de trabalho.
— Leste: um oratório conjugado com um armário utilitário, para guardar livros, instrumentos mágicos e outros materiais.
— O centro do quarto deverá permanecer como espaço livre o tanto quanto possível.

CÍRCULO MÁGICO
Todos os rituais mágicos solenes, que obedecem aos procedimentos tradicionais, são realizados em espaços discretos, seja em um quarto, uma sala fechados ou em local deserto, ao ar livre. Os rituais denominados "Rituais de Evocação", em especial, exigem o traçado do CÍRCULO MÁGICO. O Círculo é uma área preparada para abrigar o operador e demais presentes de modo a preservar a segurança destas pessoas durante o ritual. Os perigos são ataques eventuais de entidades astrais, perda súbita de energia vital etc..
"O Círculo é a assinatura pessoal da vontade combinada com as influências astrais. Os videntes descrevem-no como uma linha circular de chamas e projeções em forma de colunas de luzes muito brilhantes, lá - onde nossos sentidos físicos só percebem um traço de carvão e nomes hebraicos". Papus, 497 - Apêndice
A magia que faz do círculo uma área de segurança começa com todos os movimentos e concentração do traçado. É a magia do gesto que "simboliza a Vontade do operador em promover o isolamento, proteção contra toda má influência. Este círculo pode ser traçado com a Espada Mágica e marcado com uma mistura de carvão e pedra-imã pulverizados ou mesmo, somente com o carvão, isolante magnético por natureza". Existem modelos de Círculos Mágicos dedicados a cada um dos sete planetas esotéricos. No Tratado Elementar Papus reproduz todos eles além de transcrever toda uma série de evocações e preces específicas para cada elemental, cada dia da semana, cada anjo etc.. O Círculo Tradicional, uma espécie de Círculo Master que pode ser usado em qualquer operação é composto em camadas que contêm nomes sagrados e símbolos.
ELEMENTAIS
O mago exerce sua vontade sobre o plano físico com atitudes e práticas bem objetivas. Entretanto, todo ato de vontade, toda idéia cultivada, ensamento concentrado, exerce sua influência também no plano astral, onde circulam energias capazes de produzir formas. O plano astral é "receptáculo das formas futuras e das imagens do passado". Suas energias são algumas das "forças mais ativas e ocultas que é permitido ao homem utilizar" (PAPUS, p 403).
No mundo visível, o homem soube dominar forças físicas; soube colocar a seu serviço inúmeros animais. "Um campo análogo abre-se para a vontade no plano astral" (idem). Ali existem seres que são desconhecidos do leigo mas sobre os quais o magista pode agir. "Nós os chamaremos, com a Cabala, elementais; eles também são denominados espíritos elementares, demônios mortais etc.. "Seu papel é análogo ao dos animais no mundo visível; aliviam o operador de uma grande parte de seus trabalhos, como simples instrumentos que são, sem responsabilidade pelo que fazem (PAPUS, p 404).
Podemos definir os elementais como seres instintivos e mortais, intermediários entre o mundo psíquico e o mundo material. ...O caráter essencial dos elementais é animar instantaneamente as formas de substância astral que se condensa em volta deles. Seu aspecto é variáel e estranho: ora são como uma multidão de olhos fixos sobre um indivíduo; ora são pequenos pontos fixos luminosos rodeados de aura fosforescente. Podem, ainda, parecer criaturas indefinidas, combinações de formas humanas com animais (PAPUS, p 405).
Para entrar em relação com os elementais é preciso entrar no plano astral. Pode-se chegar a esse resultado pelo treino psíquico e meditação. Porém, todo ser humano entra em relação íntima com este plano astral imediatamente antes de adormecer e imediatamente antes de despertar, isto é, quando as relações entre o ser impulsivo (corpo astral) e o ser consciente vão experimentar uma mudança qualquer. Pode ocorrer ainda em momentos de terror ou alegria súbitos ou em um instante de um pressentimento grave. ...Eis porque as pessoas vêem, no momento em vão adormecer e quando seus olhos estão fechados, cabeças estranhas e formas bizarras que avançam para o leito com uma rapidez incrível e logo desaparecem para serem substituídas por outras. Os pesadelos, quando não decorrem de perturbações orgânicas, procedem dos elementais.
Estes seres são, teoricamente, divididos em quatro grandes classes correspondentes às quatro forças elementares e às quatro letras do tetragramaton. Cada tipo possui Gênio, Ponto cardeal, temperamento, hieróglifo e instrumento mágico relacionados. São eles:
1. Gnomos - elementais da Terra
2. Salamandras - elementais do Fogo
3. Silfos - elementais do Ar
4. Ondinas - elementais da Água
|